
Por Emerson Santos
Os adeptos ao Emocore, gênero musical originado do Hardcore, estão sendo vítimas de preconceito por parte da sociedade. Os EMOs, como são chamados, abreviação de Emotional Hardcore são ignorados pela sociedade por possuírem um estilo próprio de viver, por usarem trajes pretos, franjas caindo nos olhos, maquiagem, acessórios estilizados e por serem sensíveis e emotivos. Esses jovens ouvem músicas com letras melancólicas, com alto teor sentimental e dramático, e, por conta disso, são rotulados de homossexuais, vândalos e drogados.
O Emocore surgiu nos Estados Unidos na década de 80, com influências do rock alternativo, Punk Rock e Indie Rock. No Brasil, esse gênero obteve popularidade em 2003, quando chegou à cidade de São Paulo e se expandiu para outros estados. O estilo Emo vem influenciando a moda, a música, e principalmente, o comportamento dos jovens. “Cada dia eu vejo mais emo, isso é bom”, afirma o Emo Elder Augusto de Aguiar, 20 anos, sobre o crescimento do gênero no Brasil.
No site audiovisual YOUTUBE, existem vários vídeos que vulgarizam os Emos, satirizando o estilo e comportamento dos seguidores da “tribo” Emocore. São vídeos extremamente homofóbicos, que degrinem a imagem dos emos, colocando-os em situações constrangedoras. Nas ruas, por onde passam são desprezados e motivos de piadas de mau gosto. É o caso de Pablo Marcelo Pereira, 16 anos, que já foi agredido verbal e fisicamente, “as pessoas não conseguem nos aceitar, isso sem motivos, somos muito chingados, em qualquer lugar que passamos”, diz.
O preconceito é muito marcante na vida dos Emos, preconceito este, que é denominado pelos próprios de EMOFOBIA, termo criado pela junção de emo com a palavra homofobia. As pessoas os rotulam de gays por causa das vestimentas, sensibilidade, gostos musicais e a livre expressão dos sentimentos. Já virou uma espécie de jargão, dizer que todo emo é gay, e eles, se defendem das taxações. Segundo Elder Augusto, que é emo há quatro anos e heterossexual, esse rótulo é invenção das pessoas, pois, 70% dos Emos são gays ou bi porque optam e não porque é uma tendência do gênero. “Metade dos emos ou aqueles que se dizem emos são gays ou bi, isso não quer dizer que todos sejam gays, as pessoas não devem generalizar”, afirma Marcus Vinícius, 17 anos.
Um outro problema que os emos enfrentam, é serem vistos como usuários de drogas e vândalos, ou seja, “marginais emotivos”. Pablo ressalta, que as pessoas pensam sempre o de mal, tirando algumas que os entendem, “os mais velhos acham que nós somos um bando de drogados ou coisa assim”, afirma. “Tem tanta gente normal, (não que não sejamos normais), que usa drogas, agora só porque uma pessoa tem estilo já acham. Não é só com os emos e sim com qualquer outra pessoa que tem estilo”, afirma Maria Eugênia Mendonça, 14 anos. O preconceito, muitas vezes, também vem da própria família. Tacila Souza santos, 14 anos, por exemplo, que mora com os avós e seu pai, sente isso de perto, “meu pai não fala nada nem meu avô, mais minha avó fica dizendo que as músicas são coisas do diabo e que minhas unhas, pretas e rosa, também”.
Os emos são pessoas emotivas em excesso, que não tem medo de chorar quando sentem vontade, que valorizam muito a amizade e gostam de chamar a atenção. “Ser emo é ser diferente das demais pessoas, é ter sensibilidade para as coisas lindas da vida, é muito mais que um estilo e ser livre pra expressar o que você sente”, diz o emo Elder Augusto. Quem é EMO possui linguagem e escrita meigas, e, utilizam para se comunicar ente si, expressões como “miguxo”, “eu te emo”, “axim” e apelidos antecedidos de Sr e Srtª. “Acho que usamos Sr e Srtª porque queremos ser respeitados e miguxo é carinhoso”, diz Tacila Souza. O estilo Emotion Hardcore vêm ganhando destaque e força também no mundo da moda. Roupas e acessórios como pulseiras, cintos, anéis, munhequeiras, botas e outros adereços, são bem vendidos em lojas especializadas. Isso se deve à forte influência do mercado fonográfico, que lançam cada vez mais, bandas do gênero e com estética diversificada, que são fontes de inspiração para os jovens emos que se espelham em seus ídolos, adotando assim, visuais parecidos.
As bandas Emocores mais conhecidas são Simple Plan, Panic! At the disco, My Chemical Romance, Fall out boy, Fresno, Nx zero, etc. As músicas possuem batidas fortes ligadas ao Rock e, ao mesmo tempo, tons melancólicos e letras no estilo “se eu morresse, estaríamos juntos agora” e “esta é a última vez, que eu vou lembrar do que passei”. Até mesmo quem não é emo e gosta de ouvir algumas bandas emocores, é vítima de preconceitos. Algumas pessoas confundem os emos com Punks e góticos por causa das roupas pretas e visual inovador, mas, o “universo” emo vai muito além disso. “Quem não conhece sobre toda a cultura do rock e do metal acha que somos tudo a mesma coisa”, afirma Pablo Marcelo. “Tudo que é novo, tem impacto na mídia e só o tempo fará isso normal”, diz Elder referindo-se ao choque cultural.

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