terça-feira, 1 de abril de 2008

Confissões de um cachorro (Fluxo de consciência)


Por Emerson Santos

Ai que vidão que eu tenho! Me dão carinho, me dão comidinha muitas vezes na boca e eu adoro, só queria comer mais comidinha de gente, porque aquelas coisinhas em forma de bolinha e ossinhos, são ruins de mais, muito seco!!! durmo a tarde toda e de noite tenho muita energia, gosto de chamar a atenção dos outros, quero carinho, conforto e tudo mais! Poxa, porque não entendem às vezes o que eu quero dizer, eu falo, falo, e ninguém entende, língua mais doidas eles falam, cheio de sons estranhos, minha fala, que eles dizem que são latidos, é mais interessante, eles são é estranhos em? tem horas que eu não tou com saco pra nada, nada mesmo... me tratam como se eu fosse um idiota, bestalhado, eu em! quem entende esses humanos? eu é que não vou me esforçar pra entender eles, que nada!!! Eles não fazem esforço nenhum pra me entender, me dar o que eu quero.... é por isso que eu mordo, mordo forte mesmo... fico estressado, rasgo as almofadas do sofá mesmo, arranho a perna da mesa mesmo, ué!? Ninguém faz o que eu mando!!!! que droga!! O quê?? Au au pra você também cara pálida!! Não me deixam nem eu pegar as cachorrinhas que passam, e o rastro? Marco o meu território mesmo, pra todo mundo ver quem é que manda no pedaço... o gostosão aqui ó? Aqui mesmo, olhando pra você ai em frente a tv vendo as coisas doidas, eu já disse pra não pegar no meu lindo rabo, ai ai ai, que besta meu!! Pega no seu porra, eu em!!! ah sacana... pegou minha comida né seu rato miserável, vou falar com o mimoso, o gato meu vizinho de quintal, ele vai te estraçalhar todo, não vai sobrar nadica de você!! É o que? Pensa que é o Michey Mouse é?? Eu vou te dizer o que vai ser a Disney pra você, o inferno, seu rato de esgoto idiota, você vai ver, seus dias estão contados, vai virar comida de gato!! Fala sério, eu também não gosto de gatos não, eles são muito bobos, imbecis... o único que eu tenho uma certa ligação é o Mimoso, isso só porque ele me ajuda com ratos ladrões... digamos que ele é meu sócio!! Que nada, eu quero é curtir na rua, corta essa de ficar em casa no quintal! Quando saio, é com uma corda no pescoço, se querem me enforcar , que façam de uma vez porra!! Que humilhação!!! acho que dever ser bom ser livre como os vira-latas, é mais eles comem no lixo, tem que dividir entre eles, é elhor eu ficar aqui no meu cantinho mesmo, com minha vida de cão de casa, não de guarda, porque eu não trabalho de graça não!! Ué!! Me deixa latir porra? Ou melhor, falar alto né, fico uivando pra chamar a atenção né, e mostrar que eu tou aqui também na minha área, gente de fora, já viu né? É briga na certa!! Esses cachorros e pessoas de outras bandas, de outros lugares que nem sei onde fica!! tira essa menina daqui!! Que garota chata né, fica me pegando e levando pra lá e pra cá como se eu fosse uma boneca de pano!! Eu quero o meu osso viu? Vou enterrar logo dois, é isso mesmo, esconder, nunca se sabe o dia de amanhã, nem sei quando vou morder outro osso!!! Roer é muito bom, meus dentes ficam afiadíssimos!! Fiz cocô mesmo, agora limpe! Você não fica dizendo que é meu dono! Pera aí!! Não sou propriedade de ninguém, veja isso viu? Ó o meu xixi no tapete ai ó!! É melhor limpar porque senão sua mãe vai ficar uma fera, vai logo vai!! Vou deitar e não quero nenhuma palavra, ok? Pulgas??? Elas são canibais mesmo, fazer o que, nem consigo vê elas direito, coloquem remédio logo viu!!! Depois não reclama... aqui estou eu, na minha casinha apertada, deitado num pano, no quintal!!que vida em?

Feira de São Joaquim (Descrição)


Por Emerson Santos



Sendo um dos curiosos cartões de visita da capital baiana, a Feira de São Joaquim encanta conterrâneos e turistas. Um amplo espaço preenchido por mesas, depósitos, barracas e tendas abarrotadas de curiosas especiarias. Nesta sofisticada feira baiana, encontramos de tudo um pouco. Dando um tour pelas mediações da feira encontramos produtos como verduras, frutas, temperos, animais, como galinha e porco, cigarro de palha, bebidas, incenso, panelas, roupas, calçados e até receita de magia para o amor e mau olhado.
É um verdadeiro mercadão a céu aberto. Ao entrar e depois dar alguns passos, você tem a impressão de que está num labirinto. A feira possui estreitos becos, e alguns, estreitos até demais. É preciso ter muito cuidado para não se esbarrar em carregamentos amontoados pelos becos e que bloqueiam de certa forma a passagem.
O ambiente mistura sons, cores, cheiros e sensações. É gente passando de um lado para o outro, vendedores animadíssimos gritando para chamar a atenção dos consumidores, animais emitindo seus sons característicos e donas-de-casa pechinchando. Quando chove, aí é que fica uma beleza, o chão fica todo coberto de lama e sair de lá sem sujar as roupas e as pernas é quase impossível. Afinal, quem tá na feira é pra pechinchar e se melar.
Mesmo com toda a chuva querendo impedir o movimento, ninguém desanima, até mesmo os fregueses. O que eles querem mesmo é ver as novidades e comprar mais barato. A cada barraca você sente um cheiro diferente. Desde o cheiro das frutas, das carnes em exposição e suor dos feirantes, aos odores de alimentos estragados. Ao contrário de muitas feiras, esta tem até estacionamento exclusivo para os freqüentadores que, por sinal, não são poucos. Passam por lá, gente feia e bonita, educada e ignorante, pobre e rica. Na feira, tudo se mistura.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Encurralado




Crítica sobre o filme "Acossado" (1959)






Por Emerson Santos


Acossado (1959) é um filme clássico do movimento cinematográfico da década de 60 (Nouvelle Vague). Possui em sua essência uma pontual característica deste movimento que é o corte das cenas no eixo, sendo assim, um estilo preferencial do diretor Jean-Luc Godard que já fez filmes como Alphaville (1965) e Week-end (1968). A fotografia é bem interessante do ponto de vista estrutural e não simplesmente espacial, ou seja, com enfoque em cenários maravilhosos e exorbitantes que chamem a atenção do público. O longa gira em torno da perseguição da polícia por Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), após roubar um carro e matar um policial e que se envolve com a personagem Patricia Franchisi (Jean Seberg) a qual, submete-se a escondê-lo.
O filme possui uma narrativa lenta, forçando a momentos de inconstâncias por lacunas presentes no desenrolar da trama, e que por sinal, dá a impressão de que algo está faltando ou uma certa falta de preenchimento de fatos correntes. O trabalho de edição do filme corre por conta da leveza e descontração da história. Para quem não conhece a estrutura funcional dos filmes de Godard, pode achá-lo chato e pouco instigante em se tratando de um filme policial francês.
A história e o seu desenrolar não causa ao telespectador tanta ansiedade por não possuir um conteúdo provocante, visto que, os momentos de adrenalina só são inseridos no desfecho da trama. Não amarra fatos e questões inquietantes de cunho misterioso, talvez, isso seja fruto do jogo de câmera. Como todo bom filme francês ele tem o seu charme particular, e a sua cena final remete ao próprio título, um homem perseguido, caçado, encurralado.

Noites de decepções e ilusões












Crítica sobre o filme Noites de Cabíria (1957)
Por Emerson Santos
O filme Noites de Cabíria (1957) leva o telespectador a viver, ou simplesmente, a vivenciar uma situação comum a qualquer época em uma sociedade de desigualdades sociais. O público se identifica logo com a personagem Cabíria interpretada por Giulietta Masina, que sonha em mudar de vida e esquecer o passado. Não pelo fato de ser uma prostituta, mas sim, pelo sonho que tem de se casar com a pessoa amada. Giulietta, que participou do filme La Strada (1954) é esposa do diretor do próprio filme Noites de Cabíria, ou seja, Federico Fellini e ganhou em 1957 o prêmio de melhor atriz no festival de Veneza.
O universo circundante da trama focal desse filme dramático é justamente, a ilusão amorosa e a decepção com a vida, ou seja, com um possível futuro de sucesso e felicidade. O roteiro é bem memorável e flui todo a exposição da protagonista a diversas situações de altos e baixos, como a cena do espetáculo em que Cabíria se torna cobaia de um número ilusório, remetendo assim, ao tipo de cinema “fantástico” de Fellini.
O enredo é simples e marcante, com cenas interessantes, cortes superficiais e densos. A cronologia dos fatos marca uma história moldada em um prévio final surpreendente. Federico Fellini, que já dirigiu filmes como La Dolce Vita (1960) e Amarcord (1974), deixa clara a sua mensagem final com o seu desfecho sensível e, talvez, não tão inesperado. Um filme que leva às pessoas a analisarem a vida com mais lucidez e perspectivas, em que não importa o que venha a acontecer de ruim, sempre existirá uma coisa boa por mais simples que ela seja.




A sangue frio: a intenção de um livro e a vontade de um escritor



Resenha sobre o livro “A sangue Frio”





Por Emerson Santos



Truman Capote se envolveu profundamente no seu livro “A sangue frio” (1966). Entrevistou durante muito tempo, várias pessoas para colher dados para a sua obra. O autor de “Os cães ladram”, leu uma notícia sobre a chacina dos quatro membros da família Clutter no New York Times, ocorrida na localidade de Holcomb, no Kansas, em novembro de 1959.
O assassinato dos Clutter chamou a atenção de Capote instantaneamente. Pois, tal brutalidade, não possuía um caráter simplório e óbvio. E sim, muita originalidade e alto teor complexo. Visto que, os policiais que investigavam o caso, não conseguiam descobrir o real motivo do crime, por se tratar de algo muito implícito e obscuro.
O autor do livro “música para camaleões”, escreveu “A sangue frio” no estilo do New Journalism, gênero lançado pela escritora Lillian Ross, considerada a primeira-dama do gênero literário, por reunir suas reportagens em livros. A vontade de Capode era fazer algo novo, um livro de não-ficção.
O romancista, roteirista e escritor de peças pediu permissão à revista The New Yorker para fazer uma matéria sobre o caso e foi para o Kansas investigar. A princípio, a idéia de Capote era fazer apenas uma reportagem. No entanto, ficou tão intenso que acabou se transformando em um livro, e que logo mais, se tornaria um dos maiores da literatura moderna.
Houve uma evolução na escrita e linguagem do escritor do inédito livro “Travessia de verão” (2005). Pois, o seu livro anterior à “A sangue frio”, “Bonequinha de luxo” (Breakfast at Tiffany’s,1958), nada se aproxima da obra de não-ficção, por ser uma novela e não um livro-reportagem. “In cold blood”, ou seja, A sangue frio, foi um projeto que levou seis anos para ser finalizado e retrata o assassinato da família Clutter na cidade de Holcomb, no Kansas, cometido brutalmente por Perry Smith e Richard Hickock.
A obra gira em torno do crime e da incansável busca dos assassinos. A linguagem do livro é de fácil entendimento, fazendo com que o leitor fique preso até o desfecho devido a sua narrativa rica em detalhes. O autor seduz facilmente por narrar fatos misteriosos e sem explicação aparente do motivo do crime, despertando assim, a curiosidade. O livro instiga o leitor a imaginar diversas situações e proporciona uma leitura leve e reflexiva da realidade, por abordar explicitamente a pena-de-morte.
Truman Streckfus Persons não se colocou como personagem no livro e sua ligação emocional com o assassino Perry Smith, não é enfocada no conteúdo do livro. Nascido em Nova Orleans em 30 de setembro de 1924, Truman Capote, com seu sobrenome herdado de seu padrasto Joseph Capote, morreu fragilizado pelo álcool e por drogas, em 1984, em Los Angeles, sem ter concluído a sua obra Answered prayers, após ter sofrido uma parada cardíaca. A sangue frio teve a intenção de revolucionar a literatura, ganhou duas versões cinematográficas, sendo que a primeira, filmada na casa dos Clutter e em outros cenários reais, recebeu quatro indicações ao Oscar.

Capote: A ambição de um escritor







Por Emerson Santos



Em 1959, Truman Capote lê um artigo no jornal The New York Times. Este artigo relata o assassinato brutal de uma família composta por quatro pessoas, a família Clutter. Capote convence a revista para qual trabalhava, a The New Yorker, a lhe dar uma matéria sobre o caso e vai para o Kansas onde ocorreu tal brutalidade.
O filme “Capote” mostra com clareza, o processo de produção do livro de não-ficção intitulado de “A sangue frio”, com seu título original (“In cold blood”). O romancista, roteirista e escritor de peças Truman Capote, teve a colaboração de muitas pessoas da região de Holcomb, no Kansas. Mais expressivamente, o apoio de Alvin Dewey, agente investigador do Kansas.
“Capote” é sem dúvida, um filme profundo e biográfico, ou seja, um filme memorável de Truman capote. Nesta obra cinematográfica, ficamos conhecendo ainda mais Capote. Interpretado pelo ator Fhillip Seymour Hoffman, que por sinal, capita a essência de capote. Hoffiman incorpora totalmente o escritor, dominando o jeito delicado e as risadas afeminadas de Truman capote.É como se Capote estivesse dentro dele em toda a atuação.
Fica evidente no filme, a relação emocional e profissional entre Capote e Perry Smith. Enfocando nos encontros rotineiros, a preocupação e o cuidado que Capote teve, para fazer com que Perry contasse todos os detalhes do assassinato dos Clutter.
O longa é triste na medida certa, como no momento em que Capote vê os assassinos pela última vez antes de serem executados. E em especial, a cena do enforcamento de Smith que foi sem dúvida, uma cena chocante e que nunca mais sairia da memória de Truman Capote (1924-84).

ESTÁGIO: A OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO




  • Reportagem


O estágio vem chamando a atenção dos estudantes que buscam a inserção no mercado de trabalho e uma forma de capacitação profissional



Por Emerson Santos

As oportunidades de estágios oferecem cada vez mais aos estudantes a aplicação de conhecimentos teóricos e experiência profissional, através da vivência em situações reais do exercício da futura profissão. O estágio, quando é um conjunto de atividades de caráter técnico, social e cultural, torna-se um período indispensável ao aprendizado para a qualificação do futuro profissional, permitindo a integração da formação teórica à prática.
Em Salvador, muitas agências de estágio promovem a integração entre estudantes e empresas. Essas agências de integração, como o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) e o CIDE Estágios, possuem o objetivo central de promover a aproximação entre os sistemas de ensino e os setores de produção, com a finalidade de identificar e captar oportunidades de estágios para estudantes. Além do CIEE e do CIDE-ESTÀGIOS, existem ainda mais sete agências, a ÂNIMA, IEL, RH BRASIL, SOUL RH, SUI GÊNERIS, NEW QUALITY e a STAGYUS. Algumas também operam em outros estados.
O CIEE, como uma organização não governamental, sem fins lucrativos, filantrópica e mantida pelo empresariado nacional, há 40 anos vêm promovendo o contato de estudantes aspirantes a uma vaga de estágio. Segundo a supervisora de Operações do CIEE, Sinara Gama, a agência oferece em média de 35 a 40 vagas por dia. “São 386 vagas por mês”, ressalta. Cerca de 100 mil empresas já receberam estudantes estagiários selecionados pelo CIEE, cinco milhões de estudantes foram colocados em estágios. “O estágio é muito importante para o estudante”, afirma Nirane Santos, assistente técnica de estágios do CIEE de Salvador.
A partir da formalização do convênio de instituições de ensino com as agências, os alunos, que estiverem em condições de estagiar, de acordo com as diretrizes definidas pelas escolas, podem se cadastrar na Internet pelos portais, ou pessoalmente, nas dependências das próprias empresas de integração, para serem selecionados e convidados a participar do processo de estágios. Os candidatos podem checar os números de vagas oferecidas e ainda recebem as ofertas de vagas contatadas pelas agências em que estão cadastrados, por ligações telefônicas ou através de mensagens de texto SMS no celular. “O cadastramento é muito fácil, é uma espécie de currículo”, afirma o estudante do 3º ano do ensino médio, do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, Gabriel Pereira da Silva, 18 anos, que está à procura de um estágio.
“O estágio é muito bom, o estudante tem direito até a um seguro contra acidentes pessoais”, disse Camila Ramos dos Santos, 20 anos, que estagia há seis meses como recepcionista em uma empresa de imóveis. A cobertura do seguro abrange acidentes ocorridos com o estudante durante o período de vigência do estágio, 24 horas por dia, no território nacional, no local e horário do estágio. O FAE (Fundo de Assistência ao Estudante), criado e mantido pelo CIEE, destina-se a ajudar os estagiários no reembolso de despesas médicas, decorrentes de acidentes pessoais. Para isso, o estagiário precisa apresentar os respectivos comprovantes. Assim que é contratado, o estudante recebe as informações correspondentes, bem como o valor máximo do reembolso.

BENEFÍCIOS DO ESTÁGIO – Podem ser estagiários os estudantes regularmente matriculados e que freqüentam cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior (técnicos) e de educação especial. Para os estudantes de pós-graduação (mestrado e doutorado), há possibilidade de contratar tais estudantes como estagiários desde que tenha a aprovação da instituição de ensino. “Depende muito da grade curricular”, ressalta Maria Aparecida Adam Cruz, secretária do CIEE.
O estudante estagiário pode receber uma bolsa-auxílio, em dinheiro, com valor definido pela empresa contratante. O valor pode variar de uma empresa para outra e pela função exercida. “Em geral, a bolsa pode variar de R$ 150 a R$ 1000”, disse Tânia Maria Santos de Souza, presidente da agência de estágios CIDE.
O objetivo do pagamento de uma bolsa-auxílio é permitir ao estudante a cobertura parcial de suas despesas escolares e de outras provenientes do estágio. Muitos estagiários utilizam a bolsa para ajudar suas famílias para cobrir despesas da casa, como forma de complementar a renda. Outros benefícios, como vale-transporte, vale-alimentação e assistência médica, podem ser oferecidos ao estagiário, por liberdade da empresa.
O estágio nas empresas oferece uma série de benefícios para o estudante. Acelera a formação profissional; possibilita aplicar as lições e os conhecimentos teóricos oferecidos pela escola; proporciona o contato com o ambiente profissional; propicia melhor relacionamento humano; estimula a criatividade; possibilita perceber as deficiências e buscar o aprimoramento do perfil profissional; permite conhecer a organização e o funcionamento das empresas e instituições em geral; facilita a escolha da futura profissão, sabendo que muitas vezes os estagiários não escolhem a função exercida da no estágio como futura profissão. Apesar de oferecer alguns benefícios, o estágio também possui desvantagens e pontos negativos (ver boxe no final). È apenas um período de aprendizado e experiência. Muitos, quando terminam a graduação, vão trabalhar nas suas áreas de atuação profissional. No entanto, aqueles que não possuem uma maior qualificação profissional, vêem no estágio uma oportunidade de crescimento e a conquista de uma futura profissão.



REGULAMENTAÇÃO DO ESTÁGIO – “Para todo o estágio é assinado o TCE (Termo de Compromisso de Estágio)”, afirma Sinara Gama. Esse termo de compromisso é assinado entre o estudante, a escola, a empresa e a agência de estágio. O estagiário só pode iniciar suas atividades com o TCE devidamente assinado, pois é nele que estão estabelecidas as condições e normas.
Todo estágio executado em empresas é acompanhado e orientado por um supervisor. “Se o estudante deixar de freqüentar a escola ou faculdade e não comparecer regularmente ao estágio, ele é excluído do processo e perde todos os seus benefícios”, asseguraTânia Maria. “A anotação na carteira profissional do estudante não é obrigatório por lei”, disse Maria Aparecida, da agência CIEE. Tanto a lei nº 6.494/77, quanto o decreto nº 87.497/82, não tratam da anotação do estágio na Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS. O Ministério do Trabalho notificou que não é necessária a anotação do estágio na CTPS do estudante.
A atividade de estágio não está sujeita a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), a legislação específica dispensa o recolhimento de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), o pagamento de 13º salário e das férias, assim como o recolhimento de INSS e PIS.
Segundo o CIEE, a isenção de recolhimento de tributos objetiva incentivar as empresas à contratação de estudantes, o aprimoramento técnico e profissional dos jovens e das empresas concedentes. “O estagiário paga imposto sim”, enfatizou Tânia Maria. Quando o valor mensal recebido ultrapassa a faixa de isenção da Tabela do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) aplicável aos rendimentos de qualquer natureza, elaborada pela Receita Federal.
“O estagiário não pode receber comissões e horas extras, pois não se aplica ao estagiário a legislação trabalhista”, reforçou a agência de integração CIEE. Segundo Tânia Maria, muitos estudantes pensam que o estágio é um emprego. “O estágio é apenas um período de experiência com a ajuda de uma Bolsa-Auxílio”, enfatizou Tânia.

DURAÇÃO E INTERRUPÇÃO – O período do estágio é variável e pode ser prolongado ou interrompido. Segundo o CIEE, a prorrogação pode acontecer conforme o interesse do estagiário e da empresa, desde que esteja dentro das condições estabelecidas na legislação e tenha a aprovação da instituição de ensino. O estagiário deve procurar sempre cumprir todo o período do contrato. “Muitos estagiários, depois de terem concluído o tempo máximo de estágio, são contratados pelas empresas como funcionários normais”, alega Tânia Maria. “Através da lei de estágios, o tempo mínimo de estágio é quatro meses e no máximo dois anos. Concluindo esse período, o aluno pode estagiar em outra empresa”, ressalta Tânia.
A interrupção do estágio ocorre quando o estudante tranca a matrícula da escola; muda de curso; deixa de freqüentar regularmente o curso; conclui, exceto no caso de ter que completar a carga horária predeterminada do estágio obrigatório e estiver desempenhando atividades incompatíveis com sua área de formação. “Os estudantes precisam estar mais qualificados, ter mais interesse e dedicação”, disse Tânia.
“Eu acho que o meu estágio é muito bom. Trabalho cinco horas e ganho R$ 300,00 como recepcionista na academia Vidativa. Já vou fazer três meses lá”, afirmou a estudante de jornalismo Driely Lago, 19 anos. “A equipe é boa, a minha chefe também. Tenho prazer em trabalhar, estou lá pela Sui Gêneris (agência de estágios), mas consegui o estágio através de uma colega que trabalhava e me indicou”, reforça Driely. Alguns estudantes desistem do estágio por causa do valor da bolsa e pelo desvio de função, pois, acabam desempenhando papéis que não correspondem a seus cursos de graduação. Estudantes dos cursos de Comunicação Social tornam-se simples atendentes de empresas de telemarketing, por exemplo.




OPORTUNIDADES QUE TAMBÉM GERAM INSATISFAÇÕES – O estudante precisa ter muito cuidado para não trabalhar demais e ser explorado. A carga horária mínima é de até oito horas diárias, passando disso, acaba prejudicando os estudos. O estágio também possui pontos negativos e desvantagens. Além do estagiário não poder ter o recolhimento de encargos sociais como o FGTS, INSS e PIS, ele não tem direito ao recebimento do 13º salário e nem de férias.
Segundo a estudante de jornalismo da FSBA (Faculdade Social da Bahia), graduada no curso de Comunicação Social com habilitação em Rádio e Tv, Taysa Almeida, 26 anos, considera negativo receber remuneração de estágio e desenvolver a mesma função e as mesmas atividades de um funcionário com vínculo empregatício. “Era contratada para trabalhar cinco horas, mais chegava a trabalhar quase dez”, alega referindo-se ao tempo em que estagiou como repórter na emissora de televisão Tv Santa Cruz, afiliada à Rede Bahia, na cidade de Itabuna, por seis meses.
“A bolsa-auxílio é muito baixa, geralmente as empresas não são flexíveis se o estagiário tem que fazer alguma atividade da faculdade”, afirma a estudante de jornalismo da FSBA, Thais Fonseca, 26 anos, que estagia como atendente de telemarketing, numa empresa de assessoria de cobrança. “Alguns se queixam que a hora extra não é compensada e outros não. A mão-de-obra é qualificada e barata, por isso que as empresas oferecem estágios”, conclui.